27 de abril de 2026

Mulheres que já não sofrem por amor

 


As mulheres que já não sofremos por amor ainda somos poucas, mas somos cada vez mais. Não nos libertámos da dor nem encontrámos a fórmula para sermos felizes no amor, mas chamamo-nos assim porque já não nos sentimos condenadas a sofrer por amor: sabemos que o romântico é político e que outras formas de nos relacionarmos, de nos organizarmos e de nos amarmos são possíveis.

As mulheres que já não sofremos por amor estamos a fazer a revolução amorosa a partir dos feminismos: estamos a colocar sobre a mesa a importância de reinventar o amor romântico para sofrer menos e desfrutar mais do amor. As redes sociais e afetivas, as emoções e os cuidados estão no centro do nosso pensamento, dos nossos debates e das nossas lutas.

As feministas alcançámos muitas mudanças a nível legislativo e político, e estamos a despatriarcalizar tudo: a ciência, a educação, as religiões, a medicina, a filosofia, o jornalismo e a comunicação, o cinema, o teatro, a democracia, o desporto, as instituições, a família… mas ainda nos resta muito trabalho ao nível sexual, emocional e sentimental.

Embora há décadas lutemos para alcançar a autonomia económica, até há pouco tinha-se feito muito pouco pela autonomia emocional, e cada uma tinha de procurar individualmente as ferramentas para trabalhar a dependência sentimental e despatriarcalizar as suas emoções. Hoje, no entanto, estamos a trabalhar coletivamente na criação dessas ferramentas para a revolução dos afetos.

A nossa forma de amar é patriarcal porque aprendemos a amar segundo as normas, as crenças, os modelos, os costumes, os mitos, as tradições, a moral e a ética da cultura a que pertencemos. Cada cultura constrói a sua estrutura emocional e os seus padrões de relação a partir de uma ideologia concreta; por isso, a nossa forma de amar no Ocidente é patriarcal e capitalista.

As meninas e os meninos recebem mensagens opostas e aprendem a amar de forma diferente, de modo que, quando nos encontramos na idade adulta, torna-se impossível amar-nos bem. Os meninos aprendem a valorizar e a defender a sua liberdade e a sua autonomia; as meninas aprendem a renunciar a elas como prova do seu amor quando encontram parceiro. As meninas aprendem a colocar o amor no centro das suas vidas, enquanto os meninos aprendem que o amor e os afetos são “coisas de raparigas”. As meninas acreditam que para amar é preciso sofrer, passar mal, aguentar e esperar pelo milagre romântico; os meninos, pelo contrário, não renunciam nem se sacrificam por amor. As meninas aprendem a ser doces princesas; os meninos, a ser guerreiros violentos. Elas acreditam que a sua missão é dar vida; a deles é matar o inimigo. Enquanto elas se hipersensibilizam e desenham corações por todo o lado, eles mutilam-se emocionalmente para não sofrer e preparam-se para ganhar todas as batalhas.

Assim sendo, não é de estranhar que, quando nos juntamos para nos amar, o encontro seja um desastre. Nestas condições, é impossível construir uma relação baseada no respeito mútuo, no bom trato e na igualdade. É impossível desfrutar do amor numa estrutura de relação baseada na dominação e na submissão, e nas lutas de poder que nos retiram grande parte do nosso tempo e energia: as guerras românticas que sustentamos impedem-nos de desfrutar do amor e da vida.

Aprendemos a amar a partir da nossa experiência pessoal com a família e o meio mais próximo, mas também através dos relatos que mitificam o amor e idealizam determinados modelos de masculinidade e feminilidade. Mitificar o amor serve para que as mulheres, movidas pela paixão amorosa, interiorizem os valores do patriarcado, obedeçam aos mandatos de género e cumpram os seus papéis de mulher tradicional, moderna e pós-moderna ao mesmo tempo.

Estamos a desfrutar de um salto tecnológico impressionante que nos permite contar histórias em múltiplos formatos e suportes, mas o esquema narrativo das histórias continua a ser o mesmo: “Enquanto ele salva a humanidade, ela espera ser resgatada da pobreza, da exploração, de um cativeiro, de um feitiço ou de uma vida aborrecida. Quando ele termina a sua missão, vai buscá-la e leva-a para o palácio, onde ambos viverão felizes para sempre.”

Por causa destes contos, desde pequenas tornamo-nos dependentes da droga do amor romântico, e assim nos mantêm entretidas a sonhar com a nossa utopia romântica. Ao patriarcado convém que permaneçamos acorrentadas a esta ilusão, cada uma à procura de ser resgatada por um príncipe encantado. O milagre romântico isola-nos das outras: para o patriarcado não há nada mais perigoso do que mulheres unidas, alegres e empoderadas a trabalhar em equipa em busca do bem comum.

O romantismo patriarcal é um mecanismo de controlo social para dominar as mulheres sob a promessa de salvação e de um paraíso amoroso onde um dia seremos felizes. A monogamia, por exemplo, é um mito inventado exclusivamente para nós; eles sempre desfrutaram da diversidade sexual e amorosa e proibiram-nos de fazer o mesmo. No passado, as leis permitiam aos homens matar as suas esposas adúlteras. Hoje em dia, a infidelidade feminina continua a ser inaceitável, enquanto se desculpam as “aventuras” dos homens. As mulheres continuam a sacrificar-se, a renunciar, a aguentar e a sofrer “por amor”; continuam a trabalhar gratuitamente em casa e nos cuidados “por amor”; continuam a sonhar com a salvação pessoal através do amor.

O patriarcado continua vivo nos nossos corações e goza de excelente saúde; por isso, é tão importante falar das nossas emoções e relações em termos políticos. Do meu ponto de vista, o amor é uma arma muito poderosa para revolucionar o nosso mundo e transformá-lo de baixo para cima. Podemos libertá-lo de toda a sua carga patriarcal e expandi-lo para além do casal, em direção à comunidade. Podemos eliminar as hierarquias e as lutas de poder entre nós e construir as nossas relações com os outros a partir da ternura, da empatia, da generosidade, da solidariedade e do companheirismo.

Conseguem imaginar como seria o mundo se as mulheres, em vez de desperdiçar o nosso tempo no amor romântico, o dedicássemos à luta por uma sociedade mais livre e igualitária? Conseguem imaginar milhões de mulheres a trabalhar juntas na defesa da natureza e dos direitos humanos? Eu sonho com o dia em que o amor rompa a barreira do duo e se expanda para transformar toda a nossa forma de nos organizarmos e de nos relacionarmos.

Esse dia ainda está muito longe: as ideias evoluem rapidamente, e somos excelentes a imaginar novos modelos amorosos e novas formas de nos relacionarmos, mas as emoções evoluem lentamente ao longo das décadas, e não podemos mudar em duas semanas a nossa forma de sentir. São muitos os séculos de patriarcado que carregamos, e ainda não temos ferramentas para gerir as nossas emoções. Continuamos com a mesma maturidade emocional dos primeiros Homo sapiens: sentimos as emoções mais básicas (alegria, ira, tristeza, medo) de forma semelhante. A maior parte da humanidade resolve os seus conflitos com violência, porque não somos educados para enfrentar os tsunamis emocionais que nos invadem cada vez que sofremos e fazemos sofrer os outros. Nas escolas não nos ensinam a amar-nos bem, e custa muito aprender a relacionarmo-nos com amor connosco mesmas, com o nosso entorno e com as pessoas que amamos.

No entanto, estamos… a fazê-lo.




Cada vez somos mais mulheres a pensar e a debater sobre a nossa forma de nos querermos e de nos relacionarmos; cada vez somos mais as que queremos libertar o amor do patriarcado e as que reivindicamos o nosso direito ao bem-estar, ao prazer e à felicidade.

As mulheres que já não sofremos por amor estamos a analisar a nossa cultura amorosa para a transformar de cima a baixo, procurando outras formas de nos querermos, criando coletivamente ferramentas para aprender a usar o nosso poder sem fazer mal aos outros e para construir relações bonitas com os demais. Relações desinteressadas, relações baseadas no amor companheiro, relações baseadas no prazer, na ternura e na alegria de viver.

Estamos com a imaginação ativada, à procura de novas formas de nos relacionarmos connosco mesmas e com os outros. Queremos um mundo melhor para todos e todas, um mundo sem violência e sem guerras. O nosso objetivo comum é parar a guerra contra as mulheres e entre as mulheres, e contra nós mesmas: queremos aprender a amar-nos bem para podermos amar os outros da mesma forma.

A revolução amorosa é, ao mesmo tempo, pessoal e coletiva: o romântico é político, mas também é social, económico, sexual e cultural. Queremos que o amor deixe de ser um instrumento de opressão para o utilizar como motor da revolução sexual, afetiva e dos cuidados em que estamos a trabalhar a partir dos feminismos.

As mulheres que já não sofremos por amor estamos a questionar tudo: como desmitificamos o amor? Como vamos trabalhar os patriarcados que nos habitam? Como acabamos com as relações de dominação e submissão? Como nos libertamos das masculinidades patriarcais? Como aprendemos a amar sem fazer a guerra? Como podemos construir relações prazerosas, belas, respeitosas e igualitárias? Como aprendemos a resolver os nossos conflitos sem violência? Como tecemos redes de cuidado, de trabalho cooperativo, de solidariedade com as pessoas? Como vamos trabalhar, a partir do feminismo, para reapropriar-nos do prazer, reinventar o amor e libertar o desejo da culpa e dos medos?

Estamos num momento apaixonante. Finalmente, o amor deixou de ser um assunto íntimo e privado para se tornar um debate social e político. Agora falamos de amor nas redes sociais, nas assembleias, nos bares, nas teses de doutoramento, nos blogs, nos congressos e nas festas populares.

As mulheres que já não sofremos por amor ainda sofremos, mas não nos sentimos sós. Todas queremos vencer o monstro da solidão que nos mantém cheias de medo, queremos superar a dependência emocional e aprender a amar a partir da liberdade, e não da necessidade.

É muito o trabalho que temos pela frente: queremos construir um amor companheiro em que nos sintamos livres e iguais. Queremos relações baseadas no bom trato, no prazer partilhado, na honestidade e na ternura. Queremos mudar a nossa relação connosco mesmas e entre nós. E queremos acabar com o patriarcado, a desigualdade, a pobreza e a violência. Trata-se de reinventar o amor para que alcance todos e todas.

O amor é uma ferramenta maravilhosa para a transformação individual e coletiva. Quando o amor não se reduz ao casal e chega à vizinhança, ao bairro, à aldeia, então torna-se um motor para construir uma sociedade livre de exploração, violência, hierarquias e dependências.

A revolução amorosa que estamos a levar a cabo as mulheres feministas coloca no centro a alegria de viver, os afetos, os cuidados e o prazer. Sabemos que outras formas de nos querermos e de nos organizarmos são possíveis, e aqui estamos: unidas, criativas e combativas, reivindicando o desfrute e o prazer. Somos as mulheres que já não sofrem por amor.

Coral Herrera Gómez: "Mulheres que já não sofrem por amor: Transformando o mito romântico" Editorial Bookout, Lisboa, 2026


Otros idiomas:




Binge Auditions, París, 2021









Libros de la Catarata, Madrid, 2018


26 de abril de 2026

¿Que hacer cuando se ríen de ti? Pedagogía de la Empatía


¿Que hacer cuando se ríen de ti? Pedagogía de la empatía. A las personas con discapacidad auditiva nos pasa mucho: los demás nos gritan con irritación y se ríen de nosotras. Cuando entras a formar parte del colectivo que vive con una discapacidad auditiva tienes que aprender a hacer pedagogía de la empatía, y tienes que hacerlo con mucho amor y mucha paciencia. 

Porque es una discapacidad invisible, lo que implica que la gente no sabe que tienes hipoacusia, y te toca decirlo cada vez que interaccionas con los demás. Además de visibilizarlo, tienes que explicarles cómo pueden facilitarte la comunicación: la gran mayoría de la población no sabe cómo ayudarnos. 

Y a veces sucede que a los 20 minutos a la gente se le olvida que tienes una discapacidad. Entonces tienes que pedirles que se quiten la mano de la boca para hablar, que se bajen la mascarilla, que enciendan la luz porque a oscuras no oyes y necesitas leer los labios. O tienes que pedir que bajen la música en un bar porque no puedes hablar con tu gente. Y algunos te miran mal.

Cuando le pides a alguien que te repita lo que ha dicho, a la tercera te lo dice con irritación y algo de cabreo. Es un tono de enfado que puede llegar a ser agresivo: se da por supuesto que no has oído porque no te has esforzado en escuchar, o porque no estás poniendo toda tu atención, así que a la tercera te lo dicen ya cabreados y a gritos. 

En realidad no necesitamos que nos griten: necesitamos que proyectes la voz, hables más lento y vocalices mejor. Los gritos retumban en nuestro cerebro, distorsionados, así que no ayudan.

También nos pasa que a veces oímos otra cosa diferente y tenemos que preguntar para que nos confirmen si lo que hemos entendido es cierto. Y se ríen de nosotras. 

A mi me ha pasado muchas veces dando clase en la Universidad o impartiendo talleres en Secundaria, y antes hacía como que no me enteraba. Hacer “como si no” es una estrategia muy común: nosotras hacemos como que no somos sordas, como que oímos bien, pero hace tiempo comprendí que es una forma de violencia contra mi misma. Por eso hago pedagogía de la empatía. 

Es una labor agotadora, lo confieso, y no siempre apetece ser amorosa y amable cuando te acaban de humillar públicamente, pero te ayuda mucho a ti y ayuda también a los demás. Porque sabes que esas alumnas no se ríen por maldad, sino porque nuestra cultura se ríe mucho de las personas cojas, sordas, gordas, con dificultades en el habla o en la movilidad. 

La sordera crea situaciones graciosas, hasta yo me río de mi misma con las barbaridades que escucho a veces, pero no es lo mismo que yo me ría y haga reír a la gente, a que alguien se ría de mí mientras yo estoy expuesta en un escenario. Y esto hay que explicarlo para que la gente tome conciencia.

Ahora cuando se ríen de mí, paro y les explico con mucha paciencia y amor lo que es tener una discapacidad auditiva. Les hablo de mi enfermedad, de cuando llegó a mi vida, de los obstáculos que me encontré, y luego les cuento cómo ayudarme. 

El dolor que sientes cuando alguien se ríe de ti va desapareciendo cuando estás haciendo pedagogía  de la empatía y ves la transformación en los rostros de las personas que se rieron. Trato de hacerles ver que comprendo su falta de empatía . Yo antes de tener otoesclerosis no tenía empatía hacia las personas con discapacidad auditiva: a mi padre le gritábamos en casa con irritación cuando no nos escuchaba. Y nos reíamos mucho también. Años después, me ha tocado a mí. 

Además de contarles mi experiencia, les doy herramientas para que puedan tratarme mejor, a mi y a todas las personas con discapacidad auditiva. 

Somos millones en el mundo, aunque nadie nos vea. La gran mayoría son personas mayores, pero también hay bebés, niños y niñas y personas adultas. Todas aprendemos a leer los labios, pero nadie nos enseña el lenguaje de signos. Y a todas nos toca hacer pedagogía  de la empatía, y entrenar a la gente para que tome conciencia, para que no se ría, para que no nos griten y nos contesten mal, y para que nos ayuden. 

Y es bonito porque este entrenamiento sirve para que la gente desarrolle empatía ante todas las demás discapacidades, tanto las visibles como las invisibles.

Y os lo cuento aquí por si os ayuda a vosotros y a vosotras también.

Coral Herrera Gómez 


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23 de abril de 2026

Carta a los Hombres




Esta es una carta para los hombres que protestan porque cada vez hay más mujeres que preferimos estar solteras, para los hombres que están cabreados porque no ligan, para los hombres que no logran encontrar pareja, y para los que están resentidos porque su compañera ha dejado la relación.

Yo os pregunto:  ¿Cuántos de vosotros estáis dispuestos a cambiar para ser más igualitarios y solidarios? ¿Cuántos de vosotros queréis realmente salvar vuestra relación de pareja?, ¿cuántos de vosotros estáis dispuestos a escuchar a las mujeres para comprender por qué quieren separarse? 

Que levante la mano el que esté dispuesto a renunciar a sus privilegios, el que esté dispuesto a ir a terapia o a terapia de pareja, el que quiera realmente dejar de hacer promesas y empezar a hacer cambios de verdad.

Os enfadáis cuando hablamos de lo bien que viven las mujeres solteras, cuando protestamos contra la explotación doméstica y la violencia sexual, cuando pedimos el fin de los femicidios, cuando denunciamos que 62 millones de hombres han visitado una web donde se enseñan unos a otros a sedar y a violar a sus propias compañeras.

No nos oís cuando decimos que estamos hartas de trabajar gratis para vosotros, que no somos vuestras sirvientas domésticas ni vuestras sirvientas sexuales, que ya no aguantamos infidelidades, que queremos tener el mismo tiempo libre que vosotros.

No comprendéis que llevamos años haciendo terapia, leyendo libros feministas, estudiando, haciendo talleres, escuchando podcast, participando en clubes de lectura feministas, en jornadas y congresos, en asambleas de mujeres. Nosotras estamos poniendo tiempo y energía en trabajar en nuestros patriarcados y en hacer autocrítica amorosa porque queremos cambiar nuestras formas de relacionarnos y organizarnos.

Vosotros ni habéis empezado.

Todos los seres vivos se adaptan a los cambios.

¿Por qué a algunos os está costando tanto asumir que se acabó vuestro reinado?

Os llevamos años de ventaja, porque a vosotros no os ha preocupado lo más mínimo el tema. Nosotras hemos aprendido a cuidarnos y a priorizarnos, a negociar, a poner límites, a decir que no y a defendernos de la explotación emocional. Ahora somos más sabias, más fuertes, más sensibles y más conscientes, y nos hemos empoderado juntas para defender nuestras libertades y nuestros derechos.

Nosotras creamos laboratorios y escuelas feministas para liberarnos juntas, vosotros academias de violadores para compartir estrategias de violencia sexual. Nosotras nos organizamos para ayudar a supervivientes de la violencia, vosotros os juntáis en grupos para compartir fotos y vídeos íntimos, y desnudos que hacéis con la IA.

Claro, NOT ALL MEN: no sois todos los hombres, pero no sabemos cuáles de vosotros sois un peligro para nosotras.

¿Y sabéis por qué? Porque la ONU nos contó en 2018 que el lugar más peligroso del mundo para las niñas y las mujeres es su propio hogar y su entorno más cercano. Es decir, nos explotan, maltratan, nos violan y nos matan los hombres a los que queremos y en los que confiamos.

Sabemos ya que el caso de Giselle Pelicot de Francia no es un suceso extraordinario, sino común y cotidiano.

Nosotras estamos haciendo Historia y hemos entrado ya en la Cuarta Ola Feminista, que empezó con el #MeToo. Hemos roto el eterno Pacto de Silencio entre hombres, estamos educando a nuestros hijos varones para que desobedezcan y se rebelen contra el patriarcado, y estamos haciendo la Revolución Amorosa. Queremos erradicar las relaciones basadas en la dominación y la sumisión, y probar otras formas de amar y de relacionarnos.

¿Sabéis cuál es la clave de nuestro triunfo? Habernos dado cuenta en los años 60 de que lo personal es político, que lo que nos pasa a una nos pasa a todas, que los problemas no son individuales y que las soluciones son colectivas. Ya sabemos que solas no podemos, por eso creamos redes de apoyo entre nosotras: es una estrategia de supervivencia fundamental para nosotras.

Es cierto que algunos de vosotros estáis empezando a trabajar en vuestro interior y a cambiar patrones de conducta, pero sois muy, muy pocos. Algunos apoyáis las reivindicaciones del movimiento feminista, pero la gran mayoría de los hombres estáis enrabietados, cabreados y a la defensiva.

Es normal que os sintáis así porque vuestro mundo se está desmoronando. Antes teníais garantizados los cuidados de mamá y de la esposa, ahora nosotras estamos exigiendo que las relaciones sean recíprocas y los cuidados sean mutuos. Antes vivíais como reyes en vuestros hogares y ahora os estamos quitando la corona. Antes aguantábamos y aparentábamos delante de los demás, ahora nos vamos de las relaciones en las que no somos felices y no nos sentimos bien tratadas ni bien queridas.

Y algunos de vosotros no lo lleváis nada bien. No os es fácil asumir que las mujeres somos seres libres y somos seres humanos, y que tenemos derecho a elegir con quién queremos compartir la vida y tenemos derecho también a terminar las relaciones.

Cada diez minutos una de nosotras es asesinada por uno de vosotros en el mundo. Maridos y ex maridos, novios y amantes nos matáis cuando desobedecemos y cuando queremos huir. Nosotras no tenemos armas. Vosotros tenéis cuchillos, pistolas, martillos, cuerdas, escopetas, puñales.

Estamos en una guerra global contra las mujeres, y los soldados del patriarcado nos ejecutan a diario en todos los países del mundo. Hemos tenido que construir refugios para supervivientes de la violencia, pero no todas logran llegar a ellos.

Se estima que solo un 10 por ciento de las niñas y las mujeres denuncian la violencia que sufren, pero la gran mayoría estáis preocupados por las denuncias falsas.
Pocos hombres interpeláis a los demás hombres y protestáis por la violencia que ejercen otros hombres.

Ya es hora de que os posicionéis públicamente contra la violencia que sufrís y ejercéis, y empecéis a hablar de ella. Tenéis que ser valientes y exigir a los otros hombres que pararen la guerra mundial contra las mujeres.

Vosotros también necesitáis hacer autocrítica amorosa, hablar de cómo os aprovecháis de las mujeres que os quieren, de cómo os sentís ante los cambios sociales que estamos logrando, y poneros a pensar colectivamente cómo vais a contribuir los hombres a la construcción de un mundo mejor.

Vais muy tarde, compañeros. Muchos de vosotros seguís buscando mujeres sumisas, indefensas, serviles, discretas, que os permitan vivir una doble vida y no se quejen. Y esas mujeres no existen. Si antes aguantaban tantas era porque no podíamos divorciarnos.

Ahora podemos porque hemos luchado para legalizar el divorcio, y aunque aún no hemos conquistado del todo la autonomía económica y la autonomía emocional, nos queda poco.

Estamos trabajando mucho para dejar de depender de vosotros.

Por eso nos estamos separando o estamos eligiendo la soltería.

Y eso a muchos os da miedo.

El miedo alimenta el odio. Y hoy en día el odio contra las mujeres no para de crecer. Hay muchos hombres que reaccionan con violencia ante la liberación de las mujeres, que no saben gestionar sus emociones, y que no saben relacionarse con nosotras de tú a tú.

Nosotras ya no queremos a este tipo de hombres junto a nosotras. Y como son muy pocos los que os trabajáis el machismo y la misoginia, preferimos quedarnos solteras.

Vosotros podéis seguir cabreados y en negación, podéis seguir protestando y amenazando a las mujeres feministas, podéis seguir parados en el camino si queréis: nosotras seguimos andando, siempre hacia adelante.

Y no vamos solas, somos muchas mujeres en el camino hacia la liberación. Nos estamos sosteniendo y acompañando entre todas. Somos cada vez más.

Nosotras queremos un mundo mejor para nosotras y para vosotros. Todas soñamos con una vida mejor, y por eso pedimos igualdad, libertad, derechos y justicia social.

Sin embargo, cuanto más avanzamos nosotras, más grande es la brecha entre hombres y mujeres, y más difícil es entendernos. 

Nosotras no paramos de aprender cosas nuevas, vosotros estáis paralizados por la nostalgia de un mundo que ya no existe, que ya es pasado, aferrados a vuestras certezas y sin querer enfrentar el miedo.

Las mujeres estamos trabajando en nuestros traumas y nuestros miedos. 

Estamos en procesos de sanación, de crecimiento y desarrollo personal.
 
Estamos trabajando la culpa, los celos, la envidia, la rivalidad, el ego, y el poder. 

Estamos desmontando los mitos de nuestra cultura romántica y analizando la realidad con herramientas distintas a las vuestras, mucho más avanzadas: cada vez vemos con mayor nitidez lo que antes no se veía. 

Estamos poniendo nombre a todas y cada una de las violencias que sufrimos. Vosotros repetís que a los hombres os matan más, pero no os organizáis para defenderos de la violencia de los demás hombres.

Y es que vosotros tampoco sois felices en el patriarcado, pero a casi todos os compensa por los privilegios que os ofrece para que seáis machos obedientes.

A nosotras no nos compensa. 

Ya no queremos obedecer, nosotras somos las rebeldes, somos la Resistencia.

Si no nos acompañáis, nos separamos.

Ya hemos comprobado que eso de que “el amor todo lo puede” es un mito. Nuestro amor no es suficiente para cambiaros: solo lo vais a hacer cuando no encontréis ninguna mujer con la que emparejaros. 

Mientras llega ese día, tenemos claro que cuando un hombre no quiere andar, la mujer no debe parar junto a él a esperar el milagro romántico. Los cambios nunca vienen de fuera: siempre surgen en uno o en una misma, y no son mágicos, hay que trabajar en ellos.

Las mujeres nos hemos quitado la venda, tenemos los pies bien firmes en la tierra y seguimos caminando. Con o sin vosotros.

Ya no os necesitamos. Y esto es positivo porque a vosotros también os liberamos. Esto nos permite a ambos sexos construir relaciones libres, no determinadas por el interés, la conveniencia, la necesidad o la dependencia.

Ahora podemos construir relaciones mas libres con vosotros, pero sólo con aquellos que quieren disfrutar de un amor compañero.

Sois bienvenidos si queréis sumaros a nuestra Revolución Amorosa, pero tenéis que hacer acopio de mucha valentía y humildad para la travesía. Porque nosotras ya no vamos a volver atrás, ya no hay posibilidad de volver al pasado. Nosotras solo podemos seguir avanzando.

Vosotros podéis seguir haciéndonos la guerra o podéis dar un paso al frente y empezar a hacer cambios.

Nosotras estamos educando a nuestras hijas para que no sean criadas ni sirvientas, y para que defiendan su derecho a vivir una Buena Vida, libre de explotación, de violencia y sufrimiento. Les estamos explicando que amar no es sacrificarse, que no hay recompensa por sufrir por amor, y que las mujeres nunca debemos renunciar a nuestra dignidad, a nuestra libertad y a nuestros derechos humanos por amor a un hombre.  

El futuro de nuestros hijos varones depende de vosotros. Sois su modelo a seguir, y si queréis que ellos puedan encontrar pareja y disfrutar del amor y del sexo tenéis que enseñarles a respetar a las mujeres y a tratarnos como a compañeras. Tenéis que dar ejemplo: ellos aprenden e imitan vuestra forma de relacionaros. Solo serán buenos compañeros y buenos padres si vosotros lo sois.

Y es que ahora mismo la clave del cambio que necesita el planeta para que todos y todas podamos vivir mejor es una transformación radical de las masculinidades. La responsabilidad que tenéis es enorme: no podéis resistiros eternamente a los cambios. Y así no podemos seguir: nos estáis llevando a la destrucción total y al suicidio colectivo de la especie humana.

Es hora ya de dejar los discursos y pasar a la acción. Si queremos un mundo sin violencia tenemos que empezar por nosotros y nosotras mismas, y las relaciones que tenemos con los demás. Ya es hora de 
sentaros con vuestras parejas a hablar y sobre todo a escuchar. Hay que negociarlo todo de nuevo para construir parejas igualitarias basadas en el amor y el placer, no en la dominación y la explotación.

Hay mucho que hacer, tanto a nivel individual como colectivo, tanto en el ámbito de la pareja y la familia como en el ámbito político y social. Lo primero es entender que el amor no es una guerra, que otras formas de querernos son posibles, que tenemos que aprender a usar nuestro poder para que no haga daño a los demás, y que si mejoramos como personas, mejoran nuestras relaciones también.

La clave del asunto es poner en el centro la ética y comenzar con la Revolución de los Cuidados: aprender a cuidaros a vosotros mismos, a cuidar vuestras relaciones, los espacios que habitáis y el planeta en el que vivimos.

Nosotras ya estamos haciendo la Revolución del Amor,

¿cuando empezáis vosotros?

Coral Herrera Gómez


Hombres que ya no hacen sufrir por amor. Transformando las masculinidades


Todos los artículos de Coral Herrera sobre masculinidades


Todos los libros de Coral Herrerra Gómez 




21 de abril de 2026

Aquí estamos todas

 


Aquí estamos todas, leyendo juntas el libro

    Amiga, sepárate ya

Esté libro te aconpañará en tu proceso de liberación, con cariño y con amor. A ti o a tu amiga: si no quieres hacerlo sola, vente con nosotras al círculo de lectura feminista online  

    Mujeres que leen

Nos reunimos dos martes al mes. Puedes apuntártelo aquí,

en Patreon o en el Laboratorio del Amor. ❤️ 





17 de abril de 2026

Amigas del mundo


Amigas que me escribís preguntando dónde podéis conseguir mi libro mexicano en España y en otros países : aún no sabemos cuándo lo lanzan aquí, pero si reciben muchos mails preguntando por "Amiga, sepárate ya", seguro que se ponen a ello. 

Mil gracias a todas por el apoyo 😉  

Podéis preguntar aquí:

https://planeta.es/es/contacto

Las amigas mexicanas tenéis aquí un listado de librerías que lo tienen.

También podéis conseguirlo en ebook y kindle si no podéis esperar 💜

16 de abril de 2026

Separadas Unidas: mujeres que se juntan para compartir la vida

                                    


Una de las cosas que más nos frenan a la hora de separarnos es el miedo a la soledad. Especialmente en las grandes ciudades. Nos pasa sobre todo si no vivimos en el lugar en el que nacimos y no tenemos tribu. Separarse cuando has cambiado de ciudad, de país o de continente no es nada fácil, sobre todo si no tenemos una red familiar o de amigas. Cuanto más solas estamos, más vulnerables y dependientes somos de nuestras parejas, y más cuesta salir. Por eso es tan importante tener una red afectiva y social en tu barrio o en tu pueblo, y cuidar siempre tus grupos de amigas, tengamos o no pareja. 

Pero cuando no hay cotidianidad con las amigas, porque cada cual está metida en su vorágine de trabajo y de vida, no tenemos por qué quedarnos solas en nuestros hogares. Igual que hay mujeres que se quedan muy a gusto solas y disfrutan mucho de su soledad, también hay mujeres que se juntan con otras mujeres para convivir y crear red. 

Algunas de ellas están solteras por elección, y otras se han separado. Para las mujeres que son madres -especialmente las que no pueden tener custodia compartida con el padre porque jamás cuidó- es una de las mejores opciones: crear una nueva familia con más mujeres para prestarse apoyo mutuo, compartir tareas de crianza, y celebrar los buenos momentos y las fechas señaladas. Y es que criar a solas es una tarea imposible: hasta el siglo XX las mujeres jamás nos habíamos quedado solas con nuestras crías, encerradas entre cuatro paredes: las hembras humanas siempre hemos criado a nuestros niños y niñas en comunidad. 

Debido a los precios de la vivienda y al ritmo de vida que llevamos, las mujeres estamos volviendo a crear comunidades -pero ahora solo de mujeres- en las que nos acompañamos y nos ayudamos unas a otras, compartimos recursos, criamos juntas, y nos sale mucho más barato que vivir solas. Y en esto consiste la Revolución Amorosa, en crear nuevas relaciones y construir tribus de mujeres unidas y organizadas.

En Londres acaban de abrir el Brooke House, en el barrio de Acton (Londres), es una torre de 15 pisos con 102 departamentos diseñados exclusivamente para mujeres, en su mayoría trabajadoras de servicios públicos, madres solteras y supervivientes de violencia. 

Otros espacios de mujeres que conviven son:
- New Ground (Londres, Reino Unido) para mujeres mayores de 50 años que se autogestionan solas.
- "Mommies" (Canadá y Estados Unidos), cohousing de Madres Solteras y mujeres divorciadas. 
- Grupos en Francia (como las Babayagas en Montreuil), comunidades de mujeres autogestionadas y se basan en el feminismo y la solidaridad laica. Son mujeres que se divorciaron hace décadas y construyeron su propia "familia elegida".
- España: La Muraleta (Santa Oliva, Tarragona), Residencial Santa Clara (Málaga), la Morada (Madrid), Cuslar (Sevilla)


Mujeres de la Cooperativa CUSLAR, Sevilla, España.



¿Has hablado de este tema con tus amigas?, ¿has pensado en la posibilidad de crear tu propia tribu de mujeres?, ¿verdad que suena mucho mejor que quedarte sola en una casa afrontando los gastos, luchando para poder llegar a todo y sin apenas tiempo libre para ti?

Separarse no significa quedarse sola: otras formas de relacionarse y convivir son posibles. Las Separadas Unidas. jamás serán vencidas. 

Coral Herrera Gómez




9 de abril de 2026

Mujeres que leen: círculo de lectura online



¿Qué libro vamos a leer?  

Amiga, sepárate ya


¿Cuando empezamos? 

el martes 14 de abril 


¿Cada cuánto tiempo son las sesiones? 

Dos martes al mes (uno sí y otro no)


¿A qué hora son los encuentros? 

De 18 a 20 hpm hora de España


¿Es necesario tener el libro? 

No hace falta tener el libro porque lo leemos juntas

pero si lo quieres puedes pedirlo a tu librería favorita 

o adquirirlo en versión digital aquí 


¿Cuánto cuesta?

5 euros al mes si te suscribes desde Paypal

Recuerda que es gratis para las alumnas del Laboratorio del Amor 

las suscriptoras de mi página de Patreon, 

¡sois todas súper bienvenidas!


¿Dónde me apunto? 

Puedes suscribirte aquí por 5 euros al mes:



Aqui os leo el prólogo:



27 de marzo de 2026

Video: La Revolución Amorosa

 


Ya podéis seguir en mi canal de Youtube los vídeos cortos con las 100 preguntas sobre el Amor: La Revolución Amorosa para jóvenes. 

¡Suscribeté a mi canal para no perderte ni uno!


25 de marzo de 2026

¿Dónde consigo “Amiga, sepárate ya”?

 


Ya podéis conseguir mi libro en papel y en digital, en México y en todos los países:

México (papel y ebook)

La Casa del Libro 

Gandhi Librerías

Librerías Porrúa

El Sótano

Cafebrería El Péndulo

Gonvill

Sanborns

Buscalibre.mx

El Traspatio, Morelia

Librería Sancho Panza, Querétaro

Casa del Libro México 

Web de Planeta México 



Todos los países: 

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En estos días podrás encontrarlo en físico en las principales librerías de México, en BuscaLibre y en Amazon. 

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¿Sabías que el libro viene con una fajita para que nadie sepa lo que estás leyendo?



Coral Herrera Gómez Blog

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